quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ao centenário de Porto Velho: "Sobre os amantes ao Pôr do sol"

Porto Velho completa hoje o seu centenário. Cem anos de uma história que muitas vezes segue esquecida.

Centenário... Cem ter nada... Sem ter nada... Sem um povo que de fato a ame, a conheça e valorize aquilo de bom que ela tem a oferecer, sem políticos verdadeiramente comprometidos com ela e tantas outras coisas que me desagradam citar.
Mas hoje não é um dia pra pensamentos negativos, pelo contrário: é um dia de esperanças. São cem anos de histórias, seja ela boa ou ruim, cem anos de um município pelo qual sou completamente apaixonado.
Falo isso com sinceridade: já tive a oportunidade de viajar para muitos lugares e conhecer outras pessoas e ambientes, mas confesso que minhas raízes serão sempre mais fortes. Tomei água do Madeira desde o dia em que nasci, se a lenda for verdadeira, aí sim que nunca terei vontade de deixar completamente esta terra banhada pelo soberano rio.
E é por isso que hoje resolvi postar esta poesia, que eu escrevi nos tempos de escola em uma aula de história regional, confesso que que foi difícil encontra-la perdida entre várias lembranças que sinceramente nem me recordava da existência, mas a nossa "velhinha" merecia e eu gostei desse texto na época e espero que vocês também gostem.

Parabéns, Porto Velho! Para os próximos 100 anos te desejo mais pessoas verdadeiramente apaixonadas e comprometidas com essa terra, suas belezas, suas gentes e sua cultura (que existe e é a beleza da mistura de tantas outras)!


Sobre os amantes ao Pôr do Sol

Antigo e sinuoso ele estava
e enquanto ela nascia, observava.
Sereno, amante e silencioso, cobiçava.
E ela, ao crescer, se insinuava.

Ele, vomitando suas riquezas, a cortejava.
Ela, cobrindo-se desse ouro, se alegrava.
Vinham invejosos e saqueavam
e deste ouro presenteado quase nada deixaram.

Ela, crescendo, o abraçava.
Ele, encantado, admirava.
E, mesmo quando seus ouros não mais encantavam,
fez questão de carregar o luxo branco que dela levavam.

Ele, violento, as vidas dos outros amantes ceifava.
Ela, mãe que era, dos sobreviventes tratava.
E ainda nessas tormentas, riquezas ambos juntavam,
mas diziam serem loucos os que ao encontro deles migravam.

Ela, enfeitando-se de aço, novo amante aceitava.
Ele, silencioso, ainda ao seu redor caminhava.
E assim os tesouros que antes a ele confiavam,
ao novo amante, o fumegante, agora entregavam.

Ele, insistentemente a acariciava.
Ela, sorridente e mudada, com seu corpo o entrelaçava.
Os aços no corpo dela, agora se enferrujavam
e os amantes fumegantes, corroídos, no esquecimento se apagavam.

Ela, mais velha, porém jovem, ainda o abraçava.
Ele, em suas correntes, levemente a devorava.
Eles ainda vão juntos ao horizonte, onde os céus se alaranjavam,
abraçados num abraço eterno sob as luzes que desiluminavam.

Ele, o Madeira, correndo enquanto o sol poente o dourava.
Ela, a Porto Velho, sob as cores do sol que em seu corpo banhava.
Eles, amantes eternos, que a tantos sóis se banharam,

Esperam, no fim do dia, o amanhã secreto que até hoje aguardam.

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